Há 16 minutos
Sábado, 18 de Dezembro de 2010
Não é aqui o fundo do mar
Começa na quilha. A madeira do veleiro é castanha, da cor castanha das cadeiras, da cor castanha das mesas, da cor castanha da estação, o outono. O barco só existe na parte da frente e abre as águas como as abriu com a força de um cajado castanho o Moisés. O barco desta morada abre o caminho dos homens e das mulheres, separando-o, ao caminho, e separando-os, a eles, homens e mulheres, na direcção do respectivo quarto de banho. Deste lado vê-se uma âncora de latão pregada à quilha, mas não é aqui que prendemos a atenção. Seguimos para a casa das máquinas: o vapor aquece as chávenas, acelera o motor, o vapor mistura-se no ar com o cheiro das francesinhas dos almoços tardios. O barulho das conversas das pessoas em grupos conduz o barco para as profundezas das almas e segredos são enterrados na areia. A areia por sua vez foi adocicada e dividida em pequenos pacotes de açúcar, pacotes de açúcar feitos de papel. Um chá e uma torrada acabam com uma conversa que já não ia a lado nenhum.
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